segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Coincidência ou Providência?

No dia 14 de maio de 1948, a Organização das Nações Unidas, em sessão presidida pelo embaixador brasileiro Oswaldo Aranha, aprovou a criação do moderno Estado de Israel.

No Calendário judaico tal data correspondia ao ano 5708. Na Toráh hebraica, o versículo nº 5708 corresponde a Deuteronômio 30,5: “E te trará o Eterno, teu D-us, à terra que herdaram teus pais, e a herdarás; e te fará bem e te multiplicará mais do que a teus pais”. Apenas coincidência?

Abraão, considerado o primeiro judeu, nasceu quando o Calendário judaico marcava o ano 1948. Em 14/05/1948, da Era Comum, comemorou-se o primeiro dia da Pátria (Yom Haatsmaút). Outra coincidência? Acredito que não. Creio na mão de D-us escrevendo conosco a história.

Esses e outros episódios interessantes você poderá ver no livro “O mais completo guia sobre o judaísmo”, do Rabino Benjamin Blech, Editora Sefer, São Paulo, 2004. Esses, ora citados, estão nas páginas 128 e 203.

Prof. Ismar Dias de Matos

Obs: Artigo dedicado a Clécia Kalic. Ab immo pectore.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Matar o tempo é suicídio!

Matar alguém é homicídio, diz nosso Código Penal, artigo 121. Se tempo é dinheiro, matar o tempo é loucura; só louco rasga dinheiro. Matar o tempo é... suicídio!

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Testamento de Dom Joaquim Silvério de Souza

“Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Por este instrumento, por mim escrito, datado e assinado, para valer como meu codicilo, de acordo com os artigos 1651 e 1655 do Código Civil Brasileiro, eu Joaquim Silvério de Souza, primeiro Arcebispo da Arquidiocese de Diamantina, filho do Capitão Antônio de Souza Monteiro e Dona Anna Felícia Policena de Magalhães, estando em pleno gozo de minhas faculdades mentais, faço esta declaração do que se deve cumprir após meu falecimento e para que se saiba a verdade quanto aos bens por mim havidos ou como tais considerados, ou sob minha administração.

Como é meu dever, agradeço a Deus todas as graças espirituais e temporais a mim concedidas, e humildemente lhe suplico perdão de todos os pecados, infidelidades à graça, negligências, omissões, de que me tornei culpado durante o curso da vida, e de modo particular no exercício do ministério sacerdotal e pastoral.

No propósito de exalar o último alento firme na fé de tudo quanto ensina a Santa Igreja Católica, em cujo seio tenho a felicidade de viver, e da qual apesar de indigno, tenho a honra de ser ministro, entrego minha alma a Deus pelas mãos de Maria Imaculada, cujo especial amparo, assim como o patrocínio de seu castíssimo esposo, São José, a proteção de São Joaquim, de Santo Antônio, principal Patrono da Arquidiocese, do meu Anjo Custódio, invoco para os meus derradeiros momentos de vida na terra.

Não só aos que mais de perto me ajudaram a levar o peso da administração do Arcebispado, mas a todos os sacerdotes e fiéis sob minha jurisdição, os agradecimentos a quem têm direito pelos serviços que prestaram e consolações que deram à minha alma, e a quem de qualquer modo contristei os sentimentos do meu pesar e o pedido de sua indulgência para comigo.

Desejo que as Missas a que tenho direito e as que deixo recomendadas sejam celebradas quanto antes. Dos sacerdotes e fiéis deste Arcebispado e das Dioceses que outrora formaram o Bispado de Diamantina, e são hoje sufragâneas desta Igreja Metropolitana, espero a caridade de suas intercessões diante de Deus em meu favor.

Na campa da sepultura que recolher meus ossos, desejo, caso seja possível, se leiam, como contínua invocação minha, as palavras: SPES MEA, DOMINE, MISERICORDIA TUA.
Declaro que de meu não possuo coisa alguma.

A meus irmãos ou a filhos seus dei, já há anos, por instrumento legal, e observada também a legislação canônica, alguns alqueires de terra que na Freguesia de São Miguel do Piracicaba (atual Vila Rio Piracicaba) constituíram por doação de meus pais, patrimônio para minha ordenação, e no mesmo fim dispus da pequena herança destes havida.

Como consta de certidão oficial existente na Secretaria do Arcebispado, dei à Mitra Arquidiocesana os livros que me pertenciam e para ela foram adquiridos os posteriores à doação.
A ela pertencem todos os paramentos, imagens, alfaias, sacros utensílios, objetos de qualquer natureza existentes no Palácio e que não pertençam a outras pessoas.

Simples administrador dos bens da Mitra, nada para mim reservei ainda do que me podia pertencer segundo as leis canônicas, mas tudo, tirado o necessário para minha manutenção, empreguei para o bem da Arquidiocese, principalmente na educação da juventude e amparo das vocações sacerdotais.
Tendo em vida feito o que pude aos que me são mais próximos em sangue, como declarado ficou acima, e não podendo lhes deixar bens temporais, que não possuo, peço que vivam sempre como bons filhos da Igreja e mantenham honrado o nosso nome de família.

Aos Exmos. Srs. Dom Antônio José dos Santos, que me tem feito a caridade de sua valiosa cooperação durante anos e, na sua falta, a Monsenhor Levi Pires de Oliveira, e, no impedimento deste, a Monsenhor Gabriel Amador dos Santos ou a seu sucessor na Secretaria do Arcebispado, aos quais todos renovo minha eterna gratidão, rogo o favor de fazer que se execute, de acordo com a legislação do País, esta minha disposição ou declaração de última vontade.

Rogo, enfim, a Deus que me conceda a graça de servi-Lo menos imperfeitamente do que até hoje, durante os dias que por sua infinita misericórdia ainda viver sobre a terra (*).

Diamantina, 09 de fevereiro de 1929.

Dom Joaquim, Arcebispo de Diamantina”.

Obs: Eu, Ismar Dias de Matos, sou associado efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais e ocupo a cadeira 75, cujo patrono é Dom Joaquim Silvério de Souza.

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(*) Dom Joaquim faleceu no dia 30 de agosto de 1933, em Diamantina. Em 1959, quando completaria 100 anos, foi homenageado com a edição de um selo postal, certamente homenagem de JK.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Respeito para com o Nome do Eterno

O livro dos Salmos, em hebraico, traz uma curiosidade salutar. A numeração segue a ordem das letras do Alef-Beit: Um é o Álef, Dois é o Beit, e assim por diante, como se pode ver no relógio da ilustração deste artigo. Mas quando se chega ao Salmo 15, a numeração muda: onde deveríamos encontrar a combinação 10 + 5, encontramos 9 + 6. Por quê? Porque partiríamos ao meio o nome do Senhor - retiraríamos o Yud e o Hêi, primeira e segunda letras, da direita para a esquerda -, conforme consta no escrito abaixo do relógio, na ilustração. O mesmo se dá com o Salmo 16: consta a numeração 9 + 7, e não 10 + 6, porque o número seis é o Váv, que também está no nome do Eterno, como terceira letra.
Esse cuidado para não partir o Tetragrama Sagrado acontece também na numeração dos versículos 15 e 16 de cada Salmo, bem como nos mesmos versículos dos demais capítulos dos livros do Tanach, a bíblia hebraica.
Eis aí um saudável respeito para com o Nome Divino. (Prof. Ismar Dias de Matos, PUC Minas)

Obs: Dedico esse Artigo à Professora Elza Riedel - Grande Moráh - que tem me ajudado tanto na compreensão do Hebraico.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Exaltação da Santa Cruz

Nesta terra brasileira, que já se chamou Ilha de Vera Cruz e Terra de Santa Cruz, é comum ver as pessoas se persignarem com o Sinal da Cruz: “Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos, Deus, Nosso Senhor, de nossos inimigos”...

É muito grande a devoção de nosso povo à Santa Cruz, o santo lenho no qual o nosso Salvador deu a vida por nós. É gesto comum pelos interiores do Brasil, no dia 3 de maio de cada ano, a ornamentação das cruzes, às quais são coladas flores e papeis multicoloridos; ao redor desse Santo Lenho as pessoas se reúnem para rezar, desde antiquíssimas eras.

Provavelmente foi em 3 de maio de 1500 que os primeiros portugueses desembarcaram em nossas terras, daí o nome que deram ao local, como disse acima.

Segundo a tradição lendária, Santa Helena, mãe do imperador romano Constantino Magno, encontrou, em 3 de maio de 326, três cruzes soterradas no lugar que se chamava Gólgota, e concluiu que eram as mesmas daquela Sexta-Feira Santa, de três séculos atrás. Como descobrir qual era a cruz em que o Salvador teria sido crucificado? Segundo a mesma tradição, um cadáver fora colocado sobre uma das cruzes, sem que nada de notável acontecesse; assim aconteceu com uma segunda cruz; nada aconteceu; mas ao ser colocado sobre a terceira cruz, o cadáver ganhou vida, testemunhando assim que aquela teria sido a Cruz Salvadora. Essa data, então, começou a ser celebrada como a Descoberta ou Invenção da Santa Cruz (Invenire, em latim, significa descobrir). Com a mudança conciliar do Vaticano II, a festa litúrgica passou para o dia 14 de setembro, com o nome de “Exaltação da Santa Cruz”. Algumas comunidades Anglicanas celebram, nessa data, o “Santo Dia da Cruz”, nome também usado por Luteranos.

Exaltação tem como sinônimo a palavra “Triunfo”, para nos dizer que a Cruz não é, para nós, símbolo de morte, mas de vida. A festa litúrgica da Exaltação nos diz que a Cruz de Cristo é a chave de vida nova, pois pela cruz chegaremos à Luz. (Prof. Ismar Dias de Matos)

O deus Cabirus

Os habitantes de Tessalônica, nos tempos do Apóstolo Paulo, praticavam um solene culto a Cabirus, que foi assassinado por seus dois irmãos, com quem formava trigêmeos, e tornou-se um heroi. Foi enterrado junto com os símbolos da realeza. Normalmente, Cabirus é apresentdo como uma divindade, de pé, com o capacete na cabeça, um martelo na mão direita, e pinças em sua esquerda, lembrando os atributos de seu pai Vulcano, o deus da Metalurgia.

Filho de Vulcano e Cabira, Cabirus dedicava-se aos pobres e marginalizados, que acreditavam na volta de seu heroi, como uma volta messiânica e salvadora. Cabirus salvaria a cidade e restauraria a justiça entre seus habitantes.

O culto litúrgico incluía sacrifícios de sangue e envolvia todas as classes sociais dos tessalonicences.

O Imperador romano dizia ser uma encarnação de Cabirus e, portanto, era o merecedor de todas as honras atribuídas ao filho de Vulcano.

Fazendo menção às indumentárias do heroi de Tessalônica, o Apóstolo Paulo convida os tessalonicenses a se precaverem do mal: “Sejamos sóbrios, revestidos da couraça da fé e da caridade, e do capacete da esperança da salvação” (1 Ts 5,8). Em lugar de Cabirus, Paulo anuncia Jesus Cristo aos habitantes daquela importante cidade da Macedônia. (Prof.Ismar Dias de Matos)