sábado, 28 de março de 2015

Significado cristão-católico do Domingo de Ramos

Texto de Marco da Vinha, adaptado por Ismar Dias de Matos(*)

29 de abril: chegamos mais uma vez ao Domingo de Ramos, cujo significado ainda é desconhecido por muitos católicos. Refiro-me aos ramos que são abençoados e distribuídos neste dia; donde eles vêm?

Nós os encontramos no Segundo Testamento, na narrativa da entrada de Jesus em Jerusalém, dias antes da Sua Paixão. Olhemos para as perícopes da entrada, em especial para aquelas que mencionam a existência de ramos – Mateus (21, 1-11), Marcos (11, 1-10), e João (12, 12-16). Por que nos falam os evangelistas da presença de ramos?

Procurei olhar esses textos, não como um católico do séc. XXI, mas como um judeu do séc. I. O que a nós poderá passar despercebido como um “mero detalhe” que dá origem a um sacramental neste dia, para um judeu contemporâneo de Jesus encerava um significado profundo.
A existência de ramos e gritos de Hosanna remetem-nos para o festival de Sucót, geralmente referido como Festa das/dos Tendas/Tabernáculos no Segundo Testamento.

A observância de Sucót, cuja duração é uma oitava, foi estabelecida por Deus quando se celebrava a Aliança com Israel no Monte Sinai, sendo uma das três festas de peregrinação obrigatória a Jerusalém. A festa era de natureza agrícola, pois calhava na época da colheita (cf. Ex 23,16; 34,22); mas como toda a festa agrícola judaica, estava revestida de significado religioso também. Servia para “fazer memória” do tempo em que Israel vagueou pelo deserto, vivendo em tendas, antes de entrar na Terra Prometida, quando Deus os fez sair da casa do Egito: “Habitareis nas tendas durante sete dias; todos os que nasceram em Israel deverão habitar em tendas, para que os vossos descendentes saibam que fiz habitar em tendas os filhos de Israel, quando os fiz sair da terra do Egito”.

Estava prescrita a leitura da Lei durante a festa a cada sete anos: “Ao fim de sete anos, na Assembleia do Ano da remissão, pela festa das Tendas, quando todo o Israel comparecer diante do SENHOR, teu Deus, no lugar que Ele tiver escolhido, farás a proclamação desta Lei a todo o Israel. Reunirás o povo, homens, mulheres e crianças, e o estrangeiro que estiver nas tuas cidades, a fim de que escutem, aprendam e reverenciem o SENHOR, vosso Deus, e cumpram todas as palavras desta Lei. Os filhos deles, que ainda não conhecem, ouvirão e aprenderão a reverenciar o SENHOR, vosso Deus, enquanto viverdes na terra de que ides tomar posse, depois de passardes o Jordão”.
Era também uma festa que prefigurava/antecipava a “colheita final” de Israel, quando este reuniria todas as nações em Deus. Dada a grandiosidade da festa, e da alegria a ela associada, começou a ter ligações à linhagem real: por exemplo, durante esta festa Salomão dedicou o Templo (1 Rs 8). Após o regresso do exílio na Babilônia, e com a ausência dum rei, a festa foi ganhando conotações messiânicas. Já o profeta Zacarias nos fala do dia em que as nações haverão de vir celebrar o Sucót a Jerusalém:
Os que restarem de todas as nações, que tiverem marchado contra Jerusalém, irão todos os anos adorar o Rei, o Senhor do universo, e celebrar a festa das Tendas.
Era uma festa caracterizada por: alegria, “tendas”, ofertas, e ramos. São estes últimos que nos interessam hoje.
No primeiro dia, apanhareis belos frutos, ramos de palmeira, ramos de árvores frondosas e dos salgueiros do rio; e regozijar-vos-eis na presença do SENHOR, vosso Deus, durante sete dias.
Os ramos – luláv, em hebraico – seriam de tamareira, e teriam murta e salgueiro atados juntamente. Crê-se que estas plantas serviriam de recordação do tempo passado no deserto, uma vez que correspondem a espécies comuns nesse ambiente. O luláv deveria ser apresentado pelos fiéis no Templo todos os sete dias que durava a celebração de Sucót, e as crianças eram obrigadas a levá-lo a partir do momento em que já conseguissem abaná-lo. Durante as celebrações no Templo (cujos símbolos Jesus identificou consigo mesmo em São João), o coro cantaria os salmos de Hallel (de louvor) – os Salmos 113 a 118. Quando eram cantados os Hosannas no Salmo 118 toda a assembleia abanava os seus ramos em direção ao altar.
Como já referi, na época de Jesus, esta festa já não estava associada ao rei “atual”, da casa de Davi, mas ao Filho de Davi que haveria de vir. Sucót haveria de ser a única festa que perduraria no final dos tempos, após a vinda do Messias; a grande festa de louvor em que Israel finalmente consumaria as núpcias com o Seu Senhor. Não é por acaso que no livro do Apocalipse nos surge a imagem da multidão composta por pessoas de todas as nações diante do trono do Cordeiro, com ramos nas mãos:
Depois disto, apareceu na visão uma multidão enorme que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé com túnicas brancas diante do trono e diante do Cordeiro, e com palmas na mão.
Todo este simbolismo estaria presente na mente dum judeu do primeiro século. A presença destes sinais na entrada triunfal não implica a celebração da festa, mas o reconhecimento por parte do povo israelita, em quem estas imagens estariam bem presentes, de que o Filho de Davi tinha chegado, e que se iniciava o Sucót derradeiro (tal como São Pedro perguntou se deveria montar tendas aquando da Transfiguração).
Chegado ao fim desta breve exposição histórica, o que são para nós, então, os ramos que recebemos no Domingo de Ramos, que levamos em nossas mãos em procissão, e que eventualmente levaremos para casa? Estes ramos são testemunhos da nossa fé no Messias. São sinal de que o Filho de Davi salva. São reconhecimento do Cristo Rei. A liturgia bracarense demonstra isto duma forma sutil na procissão, através da cruz processional. Enquanto que no rito romano tradicional a cruz está velada, uma vez que nos encontramos já dentro do tempo litúrgico conhecido como "Tempo da Paixão", no rito bracarense a cruz é desvelada para a procissão, demonstrando que esta é uma entrada triunfal, de alegria. Estes ramos são uma lembrança de que, apesar de dentro de alguns dias o Senhor sofrer a Sua Paixão, “Christus vincit, Christus regnat, Christus imperat”. São sinais escatológicos na medida em que revelam a nossa fé e esperança no Rei dos Reis que há de vir no fim dos tempos, para consumar as núpcias com a Sua Noiva, a Igreja, enxugando as nossas lágrimas.
(*) Ismar Dias de Matos é professor de Filosofia e Cultura Religiosa na PUC Minas. E-mail: prof.ismar@terra.com.br

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Saudação a Frei Luiz Antônio Pinheiro, O.S.A, no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais – IHG-MG.

Na foto: Frei Luiz Antônio, Dom Walmor Azevedo, Frei Paulo Gabriel, Pe. Ismar.

Cumprimentos:

Exmo. Sr. Dr. Wagner Colombarolli, digníssimo presidente deste Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais;
Exmo. Sr. Dr. Aluízio Alberto da Cruz Quintão, digníssimo secretário geral desta Casa de João Pinheiro: nas pessoas de Vossas Excelências desejo cumprimentar os demais membros da mesa.
Querido Frei Luiz Antônio, gostaria de cumprimentar, neste momento solene, o seu querido pai, Sr. Antônio Pinheiro, hoje nos braços do Eterno, mas o faço assim mesmo non solum in memoriam sed et in laudam, porque, juntamente com Dona Maria de Lourdes Cantador Pinheiro, ele nos deu, pela graça do Criador e Pai, o dom de sua presença, Frei Luiz, nosso mais novo associado;

Exmo. e Revmo. Dom Walmor Oliveira de Azevedo, nosso querido Arcebispo Metropolitano; caríssimo Frei Paulo Gabriel López Blanco, teólogo e poeta de grandes profundidades, e Provincial dos Agostinianos, que nos honra com sua presença nesta casa, Templo da Cultura mineira;
Demais familiares de Frei Luiz, amigos seus, confrades, por meio de quem cumprimento as demais pessoas aqui presentes, que nos honram com suas presenças neste sábado memorável.

Senhoras e senhores:

Coube a mim a honra de saudar, em nome deste Instituto, este nosso consócio Frei Luiz Antônio, e é com alegria que cumpro tão nobre dever. Lembro-me de quando aqui fui recebido, em 29/11/2009, pelo saudoso amigo Prof. Herbert Sardinha Pinto, cuja memória impregna cada centímetro das paredes desta Casa.
Não posso deixar de agradecer, de modo especial, os meus ilustres confrades Dr. Jorge Lasmar (Cadeira 100) e Cel. Paulo Duarte (Cadeira 63), que se uniram a mim, no dia 13 de setembro passado, para conduzirmos a este sodalício o meu querido irmão presbítero Frei Luiz Antônio Pinheiro, da Ordem de Santo Agostinho, que hoje – para nossa alegria e honra – toma posse como associado efetivo, ocupando a cadeira número 9, que tem como patrono o ilustríssimo historiador marianense Diogo Luís de Almeida Pereira de Vasconcelos (1843-1927), um dos fundadores desta Casa de Cultura, que há mais de um século congrega historiadores e geógrafos, bem como pessoas que se destacam em diversos campos da cultura – Arqueologia, Estatística, Genealogia, Geologia, Heráldica, Indiologia, Medalhística, etc – e fazem dela, sem dúvida, uma destacada reserva civilizatória de nosso estado, de nosso país.

Como Diogo de Vasconcelos, seu patrono, Frei Luiz Antônio, esse paulista de Barra Bonita, nutre imenso amor pela História, sobretudo pela história da Igreja, pois seu élan de estudioso o levou a coordenar, com o professor Caio Boschi, da PUC Minas, os dois grandes volumes da História da Arquidiocese de Belo Horizonte (2013-2014), e a resenha da grande família agostiniana no Brasil. Apenas essas obras já justificariam a presença deste estudioso nesta Casa da Memória de Minas.
Falemos um pouco mais sobre nosso confrade, sem nos perdermos em detalhes cartoriais:

Bio-bibliografia mínima:

Após um intenso périplo por várias cidades do interior paulista para cursar o primário e o ginasial, o jovem Luiz Antônio, COR INQUIETUM, desejoso de ampliar os espaços em sua alma juvenil, ingressou no Seminário Santo Agostinho, em Bragança Paulista, em 1976. Após o término do Ensino Médio, veio fazer seus estudos superiores na Terra das Alterosas, e tornou-se Bacharel e Licenciado em Filosofia pela PUC Minas (1981-1983); fez o Noviciado Agostiniano no Rio de Janeiro (1984), tornando-se, depois, Bacharel em Teologia, pela Faculdade dos Jesuítas, em Belo Horizonte (1985-1988), ocasião em que elaborou um excelente trabalho de conclusão de curso – “O papel dos agostinianos no Concílio de Trento”, sob a orientação do historiador Dr. Frater Henrique Cristiano José Mattos. Foi ordenado Diácono pelo saudoso arcebispo de Belo Horizonte, Dom João Resende Costa, em 23/03/1988. O presbiterato, recebido das mãos de Dom Constatino Amstalden, foi em 22/10/1988, na cidade de Brotas – SP. Nos anos de 1994-1998, na Cidade Eterna, fez o Mestrado em Teologia e Ciências Patrísticas, no Institutum Patristicum Augustinianum, com a dissertação “Il ruolo del Verbo Creatore nelle prime opere de Agostino” (O papel do Verbo Criador nas primeiras obras de Agostinho).

Nossa Casa, como é mister a toda instituição que deseja durar por prazo indeterminado, se renova, e hoje ela respira esses ares de renovação com a presença deste historiador que ora se junta a nós, cheio de entusiasmo. Se é verdade que ele é paulista de nascimento, hoje é mais mineiro que paulista, por suas vivências entre nós; trinta e quatro anos são passados desde que aqui chegou, em 1981, para viver e se alegrar conosco. Nós o recebemos com simplicidade, mas no peito o nosso coração é solene, é quase medieval, e o recebe, Frei Luiz Antônio, como outrora a Ordem dos Cavaleiros recebia em suas hostes os seus oficiais, exaltando-os pela sua grandeza moral e destreza para os combates; assim o recebo e, creio, o recebem todos os nossos consócios, para que aqui exerça o seu ofício de historiador como arauto do bem e da luz.

Nosso novo associado é professor na PUC Minas e no Instituto Santo Tomás de Aquino (BH), onde ministra aulas de Patrística – um exímio conhecedor do pensamento de Santo Agostinho – professor de História da Teologia, História do Cristianismo – desde o período antigo ao contemporâneo; é fluente em espanhol, francês, italiano, inglês, e domina como poucos o latim e o grego.

Na Ordem de Santo Agostinho, Frei Luiz Antônio é, desde 1987, membro permanente das Comissões de História da Organización de Augustinos de Latino América (OALA) e da Federação Agostiniana Brasileira (FABRA); exerceu a função de Arquivista Vicarial (Belo Horizonte, fev de 1987 a dez 1990 // nov 1998 até o presente); Mestre de Postulantes, Prior e Mestre de Professos, Conselheiro Vicarial, Prior da Fraternidade Agostiniana, Assessor do Departamento de Pastoral do Colégio Santo Agostinho, de Belo Horizonte. Dentre muitas outras.
Na Arquidiocese de Belo Horizonte: foi Vigário Paroquial da Paróquia Cristo Redentor, no Barreiro de Cima, com várias provisões; Administrador Paroquial da Paróquia Santa Clara da Piedade, bairro Caiçara, nesta capital; Vigário Episcopal da Região Episcopal Nossa Senhora da Esperança, de 2001 a 2007; Vigário Episcopal para a Pastoral (2007-2010); Vigário Episcopal da Região Episcopal Nossa Senhora Aparecida (de 2010 a 2014); Representante da Arquidiocese de Belo Horizonte na Comissão de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso do Regional Leste II da CNBB (2005-2010); Atualmente é membro dos Conselhos Episcopal, Presbiteral e Pastoral da Arquidiocese de Belo Horizonte, desde 2001; moderador eclesiástico da Comunidade Católica Nova Aliança, desde 2006; é, atualmente, Vigário Paroquial na Paróquia Nossa Senhora da Consolação e Correia, bairro Santo Agostinho, onde trabalha em comunhão com seus confrades agostinianos.

Conclusão:

O senhor, Frei Luiz, por ser um homem do Evangelho, tem sempre muitas portas abertas para recebê-lo, em todos os lugares, como bem disse o Divino Mestre de Nazaré àqueles que deixariam tudo para segui-Lo (Mc 10, 29). Agora o senhor tem também, sempre aberta, a porta desta Casa de João Pinheiro para recebê-lo. Aqui o senhor estará entre amigos, entre seus pares.
Frei Luiz, sua nova casa é morada da História, essa realidade que os homens e as mulheres tecem na urdidura do tempo, pois na tela de Cronos é que costuramos aquilo que faz sentido para nossa construção vital, para a construção da história da Liberdade, como diria o filósofo Hegel; e, porque não dizer, daquilo que construímos com nossas inquietações cotidianas, à semelhança daquilo que Santo Agostinho deixou registrado nos treze capítulos de suas Confissões, esses relatos da historicidade humana em seu íntimo, em busca de sua maturidade e de seu fortalecimento.

Que o senhor produza muitos frutos entre nós, e leve para outras latitudes o nome de nossa Casa.

Seja bem vindo, Frei Luiz!

Muito obrigado.

Pe. Ismar Dias de Matos, cadeira 75 (Patrono: Dom Joaquim Silvério de Souza).

Belo Horizonte, 21 de fevereiro de 2015, Sábado depois das Cinzas.

Post Scriptum: Algumas das obras de sua autoria:

PINHEIRO, L. A. "A atualidade de Santo Agostinho: uma perspectiva teológico-pastoral". Horizonte (Belo Horizonte), v. 7, p. 115-126, 2008.

PINHEIRO, L. A. Evangelizar no espírito de Jesus: a dimensão querigmática da evangelização. Horizonte (Belo Horizonte), v. V, p. 172-181, 2007.

PINHEIRO, L. A. Signum unitatis: um aspecto essencial da doutrina eucarística de Santo Agostinho. Cadernos Patrísticos, v. I, p. 111-132, 2006.

PINHEIRO, L. A. Agostinianos: 750 anos da Grande União (1256-2006). Atualização, v. 323, p. 507-562, 2006.

PINHEIRO, L. A. Espiritualidade agostiniana. A vida no amor segundo o Dom do Espírito. Atualização, v. 298, p. 891-918, 2002.

PINHEIRO, L. A. "Cem anos de presença Agostiniana no Brasil". REB. Revista Eclesiástica Brasileira, v. 59, p. 859-877, 1999.

PINHEIRO, L. A. O compromisso ético-político em Santo Agostinho. Atualização, v. 279, p. 247-260, 1999.

PINHEIRO, L. A. A centralidade do amor na filosofia agostiniana. Atualização, v. 277, p. 49-72, 1999.


Livros publicados/organizados ou edições:


BOSCHI, C. C. (Org.); PINHEIRO, L. A. (Org.). História da Arquidiocese de Belo Horizonte. A Arquidiocese de Belo Horizonte e a evangelização. 1. ed. Belo Horizonte: PUC Minas, 2014. v. 2. 447p

BOSCHI, Caio César (Org.) ; PINHEIRO, L. A. (Org.) . História da Arquidiocese de Belo Horizonte. A Arquidiocese de Belo Horizonte e a contemporaneidade. 1. ed. Belo Horizonte: Editora PUC Minas, 2013. v. 1. 307p.

BLANCO, Paulo Gabriel López (Org.); PINHEIRO, L. A. (Org.) . Paróquia Cristo Redentor. 40 anos de presença agostiniana no Barreiro. 1. ed. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2013. v. 1. 89p.

BLANCO, Paulo Gabriel López (Org.); PINHEIRO, L. A. (Org.) . Félix: 8 ou 80. Livre, humano, radical. 1. ed. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2012. v. 1. 223p.


Capítulos de livros publicados:


PINHEIRO, L. A. Paróquias: espaços de evangelização. In: BOSCHI, C.C.;
PINHEIRO, L.A. (Org.). História da Arquidiocese de Belo Horizonte. A Arquidiocese e a evangelização. 1 ed. Belo Horizonte: PUC Minas, 2014, v. 2, p. 121-205.

PINHEIRO, L. A. A Igreja de Belo Horizonte na contemporaneidade: autocompreensão, dinâmicas e estruturas a serviço da evangelização. In: BOSCHI, C.C.; PINHEIRO, L.A. (Org.). História da Arquidiocese de Belo Horizonte - A Arquidiocese e a contemporaneidade. 1ed. Belo Horizonte: PUC Minas, 2013, v. 1, p. 22-93.

PINHEIRO, L. A. Os Agostinianos no Barreiro; um projeto de formação junto do povo. In: BLANCO, P.G.L.; PINHEIRO, L.A. (Org.). Paróquia Cristo Redentor. 40 anos de presença agostiniana no Barreiro. 1ed. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2013, v. 1, p. 17-43.

PINHEIRO, L. A. Félix Valenzuela, um Agostiniano fora de série. In: BLANCO, P.G.L.; Pinheiro, L.A. (Org.). Félix: 8 ou 80. Livre, humano, radical. 1ed. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2012, v. 1, p. 61-81.

Textos em jornais de notícias/revistas:

PINHEIRO, L. A. Primeiro homem moderno. Estado de Minas/Pensar, Belo Horizonte, p. 3 - 3, 03 set. 2014.

Apresentações de Trabalho

PINHEIRO, L. A. Mesa redonda Renovação Litúrgica a partir do Concílio Vaticano II. 2012. (Apresentação de Trabalho/Outra).

PINHEIRO, L. A. Espiritualidade e Inculturação da Ratio Institutionis O.S.A. 2006. (Apresentação de Trabalho/Conferência ou palestra).

PINHEIRO, L. A. Os fundamentos do Fato Cristão: heterodoxia e ortodoxia. 2005. (Apresentação de Trabalho/Conferência ou palestra).


Outras produções bibliográficas

SANTOS, Reinaldo Carlos dos; PINHEIRO, L. A. Prefácio. Belo Horizonte, 2012. (Prefácio, Pósfacio/Prefácio).

BLANCO, Paulo Gabriel López; PINHEIRO, L. A. Posfácio. Belo Horizonte - MG, 2012. (Prefácio, Pósfacio/Posfácio).

PINHEIRO, L. A. GASQUES, Jerônimo. Como falar de missa com o povo. Petrópolis: Vozes, 1985. 90 pp., in: Perspectiva Teológica Ano IX, 47. Belo Horizonte 1987 (Recensão).

PINHEIRO, L. A. CIMOSA, Mário. Levítico e Números (Col. Pequeno Comentário Bíblico Antigo Testamento) São Paulo: Paulinas, 1984. 187 pp. in: Perspectiva Teológica Ano XVIII, 44. Belo Horizonte 1986 (Recensão).

PINHEIRO, L. A. San Agustín y la liberación. Simposio de la OALA, Lima: CETA. Belo Horizonte: Perspectiva Teológica (p. 399-401), 1985 (Recensão).

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Naaman e o outro leproso

Naaman era importante general da Síria; comandava o exército do rei Ben Hadad II; possuía muito poder, muitos bens, mas era doente: leproso. E não deixava de ser vaidoso. Não se afastara das tarefas, pois sua doença era quase imperceptível ainda. Sua criada – uma mocinha judaica, escravizada, de quem não sabemos o nome – disse a seu amo que o Deus de Israel poderia curá-lo, desde que fosse ao profeta Eliseu, na Samaria. E o general foi. Levou cartas de recomendação do rei, levou muito dinheiro e muitas roupas vistosas... O profeta não o recebeu, mandou um secretário em seu lugar, com a ordem: que Naaman fosse se banhar no Jordão, mergulhar sete vezes, e estaria curado. O militar ficou irado com o profeta. Certamente esperava um grande espetáculo.

Um subalterno do general conseguiu convencê-lo a cumprir a ordem do profeta Eliseu. Com jeito e sabedoria - sem dizer estas palavras -, disse a seu chefe que não adiantava sustentar a arrogância e voltar pra casa com a lepra; era preciso descer do salto alto, pois Deus não beneficia os orgulhosos. Naaman, então, obedeceu e foi curado. Sem espetacularização. Tudo simples, como uma flor brotando sem alardes (2 Rs 5, 9-14).

O evangelho (Mc 1, 40-45) nos apresenta um leproso sem nome, que se ajoelha aos pés de Jesus e lhe diz: “Senhor, se queres, tens o poder de curar-me”. Sua doença é a mesma do general sírio, mas sua atitude é bem diferente. Abatido pela doença, marginalizado socialmente, ele se abaixa ainda mais – ajoelha-se aos pés do Nazareno. E recebe a cura! E se ergue renovado. Transbordando de contentamento, ele espalha aos quatro cantos que fora curado por Jesus, embora o Mestre tivesse pedido para que isso não fosse dito.

Nossa doença pode, muitas vezes, se manifestar como a arrogância de Naaman, que ficou indignado por não ser recebido pelo profeta. Julgamo-nos importantes demais, muito mais do que realmente somos. E as graças de Deus passam por nós, sem que as notemos, pois não olhamos para baixo, ou para os lados. Poderíamos aprender a lição de humildade com o leproso mencionado no evangelho, pois só os humildes receberão as graças divinas.

Ismar Dias de Matos, Presbítero da Diocese de Guanhães, Professor de Filosofia e Cultura Religiosa na PUC Minas. E-mail: idmatos@folha.com.br

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Campanha da Fraternidade 2015: o serviço em destaque!

Com o tema “Fraternidade: Igreja e sociedade” e o lema “Eu vim para servir”, baseado no Evangelista Marcos (Mc 10, 45), a Campanha da Fraternidade de 2015 (CF- 2015) quer recordar a vocação e a missão de cada um de nós, de nossas comunidades de fé, a partir do diálogo e da colaboração entre Igreja e sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, celebrado entre 1962-1965.

O Texto-base da CF reflete a dimensão da vida em sociedade que se baseia na convivência coletiva, com leis e normas de condutas, organizada por critérios e, principalmente, com entidades que “cuidam do bem-estar daqueles que convivem”.
Na apresentação do texto, o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, explica que a CF 2015 convida a refletir, meditar e rezar a relação entre Igreja e sociedade. “Será uma oportunidade de retomarmos os ensinamentos do Concílio Vaticano II, que nos levam a ser uma Igreja atuante, participativa, consoladora, misericordiosa, samaritana. Sabemos que todas as pessoas que formam a sociedade são filhas e filhos de Deus. Por isso, os cristãos trabalham para que as estruturas, as normas e a organização da sociedade estejam a serviço de todos”, comenta Dom Leonardo.

Propostas do Texto-base da CF

O Texto-base, estudado pelo clero e por diversos agentes de pastoral da Diocese, dia 02 de dezembro passado, está organizado em quatro partes. Na primeira são apresentadas reflexões sobre: “Histórico das relações Igreja e Sociedade no Brasil”, “A sociedade brasileira atual e seus desafios”, “O serviço da Igreja à sociedade brasileira” e “Igreja – Sociedade: convergência e divergências”; na segunda parte é aprofundada a relação Igreja e Sociedade à luz da palavra de Deus, à luz do magistério da Igreja e à luz da doutrina social; a terceira parte debate uma visão social a partir do serviço, diálogo e cooperação entre Igreja e sociedade, além de refletir sobre “Dignidade humana, bem comum e justiça social” e “O serviço da Igreja à sociedade”. Nessa parte, o texto aponta algumas sugestões pastorais para a vivência da CF nas dioceses, paróquias e comunidades; a quarta parte apresenta os resultados da CF do ano passado, os projetos atendidos por região, prestação de contas do Fundo Nacional de Solidariedade de 2013 e as contribuições enviadas pelas dioceses, além de histórico das últimas Campanhas e temas discutidos nos anos anteriores. O nome de nossa Diocese está na página 95.

O serviço em destaque!

A começar pelo cartaz da CF, que nos apresenta o Papa Francisco, numa cerimônia da Missa de Lava-pés, beijando o pé de um dos apóstolos, todo o Texto-base é permeado pelas palavras “servir”, “serviço”, “servidor”, “servidora”: são 63 ocorrências! Isso é muito em um texto tão pequeno! Por que somos chamados a SERVIR? Certamente porque o serviço está em falta! Nossa Igreja é constantemente desafiada a sair dos templos e acolher as pessoas onde quer que elas estejam. O texto recorda as palavras do Papa Francisco, que disse querer uma IGREJA EM SAÍDA, missionária, que se machuca e se suja com as lamas dos caminhos, mas não se acomoda! Vejam isso nas páginas 5, 8 e, sobretudo, a partir da página 73.
Em sua segunda parte, páginas 39 a 67, o texto nos dá motivações bíblicas e teológicas para agirmos; traz Abraão, o grande patriarca, como exemplo de serviço. Ele saiu de sua terra, do meio dos seus e foi cumprir uma nova vocação. Abraão, do alto de sua velhice, não se acomodou, mas saiu de si, se desinstalou e foi em busca de um serviço a seu Deus. Solidariedade sempre foi a grande atitude de Abraão, e deve também ser a nossa.

Evangelização completa

Em sua terceira parte, o Texto-base fala da missão da Igreja, a nossa missão, que é EVANGELIZAR. Quase a maioria das pessoas entende que evangelizar é apenas ANUNCIAR o Evangelho. Basta isso, mas não é verdade. Sim, o anúncio da Palavra na celebração da Eucaristia e dos outros Sacramentos, é um dos serviços importantes, mas existem outros. Outro aspecto importante da evangelização é o TESTEMUNHO: testemunhar com a vida, para que a palavra anunciada tenha sentido e valor; viver em COMUNHÃO e no SERVIÇO aos outros, em atitude de diaconia, é evangelizar, como ensinava Jesus, como testemunharam com suas vidas os santos e santas. A evangelização se completa quando fazemos, ao mesmo tempo, o testemunho, o serviço, a comunhão e o anúncio. Assim fez o nosso Mestre, cabeça da Igreja.
Que possamos, neste novo ano, viver a CF em todos os níveis eclesiais: nas Comunidades, nas Paróquias e na Diocese inteira. Façamos uma abertura solene, na Quarta-feira de Cinzas, dia 18 de fevereiro, e mantenhamos atividades o ano inteiro. O texto da CF nos apresenta muitas sugestões.

Prof. Pe. Ismar Dias de Matos - E-mail: p.ismar@hotmail.com
INÍCIO DO PROCESSO DE DECLARAÇÃO DE NULIDADE MATRIMONIAL
ROTEIRO PARA A EXPOSIÇÃO DO CASO

I – PARTE - PESSOA DO DEMANDANTE (a que dá início ao processo)

01. Nome, filiação, data e lugar de nascimento.
02. Qual a sua religião? É praticante? Como? Onde foi batizado?
03. Qual o seu grau de instrução escolar e qual é a sua profissão?
04. Endereço completo: rua, número, bairro, cidade, CEP, telefone, e-mail ?
05. Data completa do matrimônio religioso e civil, qual foi a Igreja e qual a cidade.
06. Como era sua família e o seu relacionamento com ela?
07. Conhece pessoalmente algum sacerdote? Qual?

II - PARTE - PESSOA DEMANDADA (pessoa com quem o/a demandante se casou)
(Repetir todos os itens colocados para a parte demandante)

III – PREPARAÇÃO PARA O MATRIMÔNIO

08. Como, quando e onde conheceu a parte demandada?
09. Como, quando e onde iniciou o namoro com ela? Quanto tempo durou só o namoro? Como foi o tempo de namoro: havia brigas e desentendimentos, por que? Houve intimidades, gravidez? Chegou a desmanchar o namoro, quantas vezes e por quanto tempo? Quem procurava a reconciliação e por que?
10. Como, quando e onde iniciou o noivado? Quanto tempo durou o noivado? Como foi o tempo de noivado: havia brigas e desentendimentos, por que? Houve intimidades, gravidez? Chegou a desmanchar o noivado, quantas vezes e por quanto tempo? Quem procurava a reconciliação e por que? Se havia brigas durante o noivado, por que chegaram ao casamento?

IV – MATRIMÔNIO

11. Ambos foram livremente para o matrimônio ou alguém ou alguma circunstância os obrigou ao matrimônio (quem, qual circunstância)?
12. Como foi o dia do matrimônio? Tudo correu normal na função religiosa e civil? E a festa que se seguiu? Notou alguma coisa no dia casamento, que levasse a duvidar do feliz êxito do seu casamento?

V – VIDA MATRIMONIAL

13. Houve lua-de-mel, onde e por quanto tempo? O matrimônio foi consumado? Houve dificuldades? Quais?
14. Quando surgiram os primeiros problemas do casal? Eles já existiam anteriormente ao matrimônio?
15. Relate pormenorizadamente os principais fatos que prejudicaram o relacionamento conjugal do casal e levaram o matrimônio a fim trágico.
16. Algum problema psíquico ou mental prejudicou o relacionamento conjugal? Esse problema psíquico era anterior ao casamento?
17. Houve infidelidade conjugal: de quem? Aconteceu antes, durante ou depois do casamento?
18. Tiveram filhos: quantos? Se não tiveram, por que? As partes assumiram as suas obrigações de casados com referência ao lar, ao outro cônjuge e aos filhos?
19. Amavam-se de verdade? Com que tipo de amor? Amavam-se com amor marital, capaz de fundamentar o matrimônio? Quando descobriram que não havia mais amor entre ambos?
20. Quanto tempo durou a vida conjugal?

VI – SEPARAÇÃO

21. De quem foi a iniciativa de separação e qual o verdadeiro motivo dessa separação?
22. Houve tentativa de reconciliação: de quem e qual foi o resultado?
23. Como e com quem você vive hoje? Como e com quem vive a pessoa com quem você se casou?
24. Qual o motivo que levou você a introduzir o pedido de declaração de nulidade de seu matrimônio? O que espera ao introduzir tal pedido no Tribunal Eclesiástico?

VII – DOCUMENTOS A SEREM ANEXADOS

25. Certidão de Batismo do demandante (original, retirada na paróquia onde você foi batizado).
26. Certidão de Casamento Religioso (original, retirada na paróquia onde o casamento foi celebrado).
27. Xerox do Processo de Casamento Religioso (pedi-lo à Paróquia onde o casamento foi celebrado: explicar por que deseja tal cópia).
28. Xerox da Carteira de Identidade do Demandante
29. Xerox de Certidão de Casamento Civil recente (que contenha a averbação da separação)

VIII – TESTEMUNHAS

30. Apresentar nome completo e endereço completo de, pelo menos, 06 (seis) testemunhas que conheçam sua situação e possam ser interrogadas pelo Tribunal Eclesiástico.

Obs.:
Você poderá enviar as respostas (datilografadas ou digitadas em computador, e devidamente assinadas) diretamente para o endereço que seu pároco lhe fornecer.

O Tribunal Interdiocesano e de Apelação em Belo Horizonte-MG (Rua Carioca, 814 – Bairro Minas Brasil)poderá lhe dar mais informações:
Telefax: (31) 3376-1976. E-mail: E-mail: tiabh@veloxmail.com.br

Este Tribunal cuida das causas das Dioceses de Caratinga, Governador Valadares, Itabira-Coronel Fabriciano, Luz e Sete Lagoas..

Se necessário, peça mais ajuda ao Padre de sua Paróquia.

O processo eclesiástico será examinado em duas fases (ou instâncias) e tem uma duração média de 18 meses (um ano e meio). O custo processual, até pouco tempo atrás, era de 04 (quatro) salários mínimos, na primeira instância, e 03 (três) salários mínimos, na segunda instância.

Se precisar de ajuda, me escreva:
Pe. Ismar Dias de Matos - e-mail: p.ismar@hotmail.com

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Coincidência ou Providência?

No dia 14 de maio de 1948, a Organização das Nações Unidas, em sessão presidida pelo embaixador brasileiro Oswaldo Aranha, aprovou a criação do moderno Estado de Israel.

No Calendário judaico tal data correspondia ao ano 5708. Na Toráh hebraica, o versículo nº 5708 corresponde a Deuteronômio 30,5: “E te trará o Eterno, teu D-us, à terra que herdaram teus pais, e a herdarás; e te fará bem e te multiplicará mais do que a teus pais”. Apenas coincidência?

Abraão, considerado o primeiro judeu, nasceu quando o Calendário judaico marcava o ano 1948. Em 14/05/1948, da Era Comum, comemorou-se o primeiro dia da Pátria (Yom Haatsmaút). Outra coincidência? Acredito que não. Creio na mão de D-us escrevendo conosco a história.

Esses e outros episódios interessantes você poderá ver no livro “O mais completo guia sobre o judaísmo”, do Rabino Benjamin Blech, Editora Sefer, São Paulo, 2004. Esses, ora citados, estão nas páginas 128 e 203.

Prof. Ismar Dias de Matos

Obs: Artigo dedicado a Clécia Kalic. Ab immo pectore.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Matar o tempo é suicídio!

Matar alguém é homicídio, diz nosso Código Penal, artigo 121. Se tempo é dinheiro, matar o tempo é loucura; só louco rasga dinheiro. Matar o tempo é... suicídio!